É nesse cenário que se trava a luta por justiça climática, a qual gera impactos nos movimentos sociais, redefinindo a organização coletiva e as estratégias de ação.
Sob diversas formas, ativistas unem forças, criam repertórios de ação e mobilizam uma miríade de iniciativas para enfrentar essa nova era imposta ao planeta pela exploração capitalista. É o que podemos chamar de ação política climática, que adquire faces distintas: seja como protesto, colaboração ou fiscalização – quando o alvo são as instituições públicas -, seja pela mobilização popular independente na busca por soluções. São ações calcadas na pluralidade de atores e diversidade de pautas que dialogam com as causas socioambientais.
Um deles é o Fórum PerifaPAC. Criado para “estimular o engajamento das periferias no debate sobre políticas públicas, com atenção especial às urgências trazidas pelas mudanças climáticas”, a iniciativa articula lideranças comunitárias, ativistas e comunicadores populares dos nove estados do Nordeste. O Fórum atua no controle social do eixo Cidades Sustentáveis e Resilientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Através de formação e capacitação, a ideia é promover a governança participativa entre seus integrantes, que fiscalizam a aplicação dos recursos para que suas demandas sejam atendidas.
Outro ator relevante é o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, que nasceu das mobilizações pelo direito à comunicação, mas que incorporou às suas pautas a justiça climática. Além de debater a democratização da mídia, ele associa essa luta à questão do clima, como previsto em seu Estatuto Social.
A entidade usa seu repertório de ações – focado na articulação com movimentos sociais, na interação com instituições políticas e na produção de informação e conhecimento – para denunciar a falta de participação popular e o silenciamento na mídia de comunidades vulneráveis atingidas por grandes projetos de “energia limpa”; ou também sobre como alguns políticos produzem e disseminam de fake news na região amazônica. Apoiado numa rede de membros de alcance nacional, o Intervozes também tem promovido debates questionando narrativas midiáticas hegemônicas sobre modelos de desenvolvimento apresentados como solução para a crise climática, mas que menosprezam os anseios e a participação nas decisões públicas de povos tradicionais e comunidades periféricas, as maiores vítimas de desastres.
Como se pode notar, a crise do clima está redefinindo as formas de ação da sociedade ao incluir na agenda dos movimentos sociais – não os do campo ambiental apenas – a mobilização por justiça climática e socioambiental, incorporando e adaptando novas causas às lutas históricas por direitos.
EcoDebate. (2026). Crise climática influencia pautas e ações de movimentos sociais no Brasil. EcoDebate. https://www.ecodebate.com.br/2026/09/28/crise-climatica-influencia-pautas-e-acoes-de-movimentos-sociais-no-brasil/ (Acessado em setembro 28, 2026 at 10:41)
