O Ibama publicou novas regras proibindo a importação de carne de espécies de tubarão ameaçadas de extinção, tornando ilegal qualquer venda de espécies do gênero Squatina, conhecidas como “peixe-anjo” pelos gaúchos. Apesar das novas normas, o peixe-anjo segue vendido livremente no Mercado Público de Porto Alegre, e prefeituras e o governo do Estado fizeram novas encomendas do produto. Além da falta de fiscalização, especialistas apontam que o cumprimento das novas regras esbarra na venda da carne de várias espécies de tubarão sob o nome genérico de cação.
Fonte: Fernanda Wenzel, Mongabay - “Boa escolha!”, disse o funcionário de uma das bancas de peixe do Mercado Público de Porto Alegre, quando perguntado sobre o peixe-anjo. “Esse sai bastante. É bem bom, e sem espinho.” O mesmo produto estava à venda em pelo menos outras quatro peixarias do tradicional mercadão da capital gaúcha, a um preço atrativo que variava entre 30 e 37 reais o quilo.
O problema é que o anjo não é peixe, e sim tubarão. Mais especificamente, o nome se refere a três das espécies de tubarão mais ameaçadas do mundo, e cuja pesca é proibida no Brasil: Squatina guggenheim, conhecida como cação-anjo-espinhoso, Squatina occulta, também chamada de cação-anjo-liso, e Squatina argentina, ou peixe-anjo-argentino.
Por muitos anos, o governo brasileiro autorizou a importação de tubarão-anjo dos países vizinhos. Segundo dados da Receita Federal obtidos pela Mongabay através da Lei de Acesso à Informação, 48 toneladas de carne de Squatina guggenheim e 194,6 toneladas de Squatina argentina entraram no Brasil entre janeiro de 2021 e 10 de setembro de 2026, totalizando 242,6 toneladas. A maioria das cargas veio da Argentina, ingressando no país pelas aduanas de São Borja e Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, e Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina.

