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30/08/2026

ICMBio aprova plano nacional para proteger tamanduá-bandeira e tatus ameaçados

Estratégia terá cinco anos e mira atropelamentos, incêndios, agrotóxicos e perda de habitat.

Fonte: Erik Silva, Folha MS - Quatro espécies de mamíferos ameaçados de extinção ganharam um plano nacional de conservação aprovado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) cria o PAN Tamanduá e Tatus, com vigência de 1º de setembro de 2026 a 1º de setembro de 2031. Entre os animais protegidos estão o tamanduá-bandeira, o tatu-canastra, o tatu-bola e o tatu-bolinha, espécies que ocorrem em Mato Grosso do Sul, especialmente no Pantanal.

O programa prevê ações para reduzir colisões de veículos com esses animais, já que eles são frequentemente encontrados mortos às margens de rodovias no estado. Também estão previstas medidas contra a destruição de habitats, incêndios, uso de agrotóxicos e outros contaminantes. Os detalhes das ações serão definidos em uma matriz de planejamento que o ICMBio vai disponibilizar e atualizar em seu portal.
28/08/2026

Desmatamento na Amazônia chega ao menor patamar desde 2013

Terras Indígenas são as áreas menos desmatadas, com o equivalente a somente 1,7% do total derrubado na região; quase 60% das TIs tiveram desmatamento zeroFonte: Imazon/Reprodução

Fonte: Duda Menegassi ((O))eco - O desmatamento na Amazônia chegou ao menor patamar desde 2013, com 2.702 km² de floresta derrubada nos últimos 12 meses, entre agosto de 2025 e julho de 2026, o que equivale ao ano calendário do desmatamento. Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), ferramenta de monitoramento do Imazon. A análise destaca ainda que as Terras Indígenas foram a categoria fundiária com menor índice, com apenas 46,96 km², ou 1,7% do total derrubado na região, embora os territórios dos povos originários ocupem 23% da Amazônia.

O desmatamento total no período de agosto de 2025 a julho de 2026 registrou uma queda de 23% em relação ao ano anterior e é a menor taxa desde agosto de 2013 a julho de 2014, quando o índice foi de 2.046 km² de área desmatada na Amazônia Legal. Pará, Mato Grosso e Amazonas comandaram a destruição da floresta, responsáveis por 70% de toda a derrubada na Amazônia.

O levantamento do Imazon destaca que quase 60% dos territórios indígenas tiveram desmatamento zero nesse período. E apenas 11 Terras Indígenas (TI) registraram uma perda de cobertura florestal maior do que 1 km² ou cerca de 100 campos de futebol. A que registrou a maior área desmatada foi a TI Cachoeira Seca, localizada entre os municípios de Altamira, Placas e Uruá, no Pará.

26/08/2026

(Denúncia) O futuro do Pau-Brasil: como atua lobby que tenta legalizar espécie para a Europa (Disputa pelo pau brasil - parte 4)

Arte: Matheus Pigozzi / Agência Pública foto: Natália Alana / Agência Pública
Fabricantes investigados se tornaram defensores da proteção da espécie — e o que isso revela sobre o futuro

Fonte: Augusta Lunardi, Giacomo Zandonini, Natália Alana (Agência Pública) - No interior do Espírito Santo, uma rua estreita concentrava algumas das principais empresas brasileiras de fabricação de arcos de violino: Arcos Brasil, Archets Brasil, Bogen Schaeffer e Horst John & Co. O polo no distrito de Guaraná, em Aracruz, havia se consolidado nas décadas de 1970 e 1980, quando o comerciante alemão Horst John se estabeleceu na região e passou a enviar jovens locais à Europa para aprender a arte da archeteria.

Segundo as autoridades brasileiras, o que parecia um polo artesanal especializado escondia um sofisticado esquema de extração e comercialização ilegal do pau-brasil — a árvore que dá nome ao país e que, após séculos de exploração, figura hoje entre as mais ameaçadas da Mata Atlântica. A madeira avermelhada da espécie é considerada, há séculos, a matéria-prima ideal para arcos de instrumentos de corda, e um único arco pode custar entre cinco e 10 mil dólares no mercado internacional.
23/08/2026

O século XXI começou no subsolo

Jazida de mineração da empresa Vale Fertilizantes em Tapira, região de Araxá (MG). O município de Araxá se tornou atrativo aos gigantes do setor de mineração do Brasil por possuir terras raras de onde podem ser retirados os rejeitos de nióbio e fosfato. Foto: Edson Silva/ Folhapress
O Brasil pode repetir o velho modelo de exportar recursos naturais ou transformar sua riqueza mineral e biológica em conhecimento, tecnologia e soberania

Fonte: Geraldo Fernandes · Walisson Kenedy-Siqueira · Amilcar Saporetti Junior ((o))eco - A Revolução Industrial não começou simplesmente quando James Watt aperfeiçoou a máquina a vapor. Ela começou quando a humanidade percebeu que a energia poderia substituir a força humana em uma escala inédita. Da mesma forma, o século XX tornou-se o século do petróleo quando o domínio dessa fonte de energia passou a determinar economias, guerras e relações internacionais. Talvez o século XXI tenha começado no subsolo.

Uma nova arquitetura tecnológica e geopolítica está sendo construída rapidamente. Seu fundamento não é apenas petróleo ou carvão, mas também os chamados minerais críticos, entre eles as terras raras. Eles estão presentes em motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos, computadores, sensores, satélites, radares, robôs e sistemas de defesa.

E há um novo consumidor de escala extraordinária: a inteligência artificial. Por trás dos algoritmos existe uma infraestrutura física gigantesca, formada por centros de dados, servidores, semicondutores, redes e sistemas de armazenamento. A revolução digital, portanto, não reduziu nossa dependência da natureza. Ao contrário: quanto mais digital se torna o mundo, mais depende de sua base física e geológica e, inevitavelmente, dos ecossistemas que sustentam esses territórios.

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