Ecologia aplicada na propriedade agrícola
O custo farmacêutico da perda da biodiversidade
Substâncias extraídas da natureza, seus derivados e moléculas inspiradas em estruturas naturais permanecem entre as principais fontes da inovação farmacêutica
Fonte: Ecodebate, Reinaldo Dias - A destruição das florestas tropicais costuma ser medida pela extensão das áreas derrubadas, pelo volume de carbono lançado na atmosfera e pelo número de espécies ameaçadas. Esses indicadores mostram a gravidade da crise, mas não revelam todas as perdas envolvidas. Em plantas, fungos, microrganismos e animais encontram-se substâncias e informações genéticas que alimentam pesquisas médicas e podem dar origem a novos tratamentos. Quando uma floresta desaparece antes que sua diversidade seja estudada, parte desse patrimônio também desaparece, muitas vezes sem que a ciência chegue a saber o que foi perdido.
Uma análise divulgada pela organização internacional Zero Carbon Analytics, em julho de 2026, deu dimensão econômica a esse risco. As florestas tropicais podem guardar até US$ 1,2 trilhão em medicamentos ainda não descobertos. O valor se refere apenas ao potencial farmacêutico das plantas com flores presentes nesses ecossistemas. Não inclui a diversidade de fungos, microrganismos e animais terrestres, nem os recursos encontrados nos oceanos e nos ambientes de água doce. Mesmo restrito a uma parte da biodiversidade conhecida, o cálculo expõe o custo de destruir ecossistemas que continuam amplamente inexplorados pela ciência.
A perda da biodiversidade deixa, assim, de ser apresentada apenas como uma tragédia ambiental distante da vida cotidiana. Ela atinge a capacidade da medicina de responder a doenças, produzir antibióticos, aperfeiçoar tratamentos contra o câncer e enfrentar novos desafios sanitários. A floresta derrubada pode conter uma espécie que jamais será catalogada, uma molécula que não chegará ao laboratório ou um princípio ativo que poderia aliviar o sofrimento de milhões de pessoas. O dano não se resume ao presente. Ele elimina possibilidades que fariam parte do futuro da saúde humana.
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Taxa de mudança climática afeta a estabilidade da AMOC – Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico
Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico: Um aquecimento mais rápido pode desencadear um ponto de inflexão que um aquecimento mais lento poderia evitar.
Fonte: Utrecht University (Ecodebate) - Há vários anos, cientistas do clima vêm demonstrando que a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC, na sigla em inglês) pode parar se o aquecimento global for excessivo. Uma nova pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade de Utrecht mostra que esse quadro está incompleto: o ritmo do aquecimento também determina se a AMOC permanecerá estável. O estudo foi publicado na revista científica Nature Climate Change .
A Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC, na sigla em inglês) é o sistema de correntes oceânicas que transporta água quente dos trópicos para o norte. Ela desempenha um papel fundamental na redistribuição do calor pelo planeta e ajuda a manter o clima relativamente ameno na Europa Ocidental.
Os cientistas há muito suspeitam que este “motor térmico” do Oceano Atlântico possa atingir um ponto de inflexão. Isso significa que o sistema passaria de seu estado forte atual para um estado muito mais fraco dentro de algumas décadas. Tal evento de inflexão poderia ser desencadeado por influências externas, como um aumento na quantidade de água de degelo das regiões polares ou o próprio aquecimento global.
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A Amazônia não cabe na mesma linha de crédito
Na floresta, o dinheiro pode financiar mais produtividade ou mais desmatamento. Um novo estudo mostra como isso depende do território, da governança e das regras de acesso
Fonte: Alexandre Mansur, Desirêe F. Galvão ((o))eco - Há uma ideia confortável e perigosa no debate sobre desenvolvimento rural: a de que o crédito é apenas dinheiro, um instrumento neutro que amplia a capacidade de produzir independentemente do lugar onde é aplicado. Na Amazônia, pelo menos, não é assim. O crédito pode ajudar um agricultor a aumentar sua produtividade sem ampliar a área empregada ou pode ser usado para novo desmatamento. Uma nova pesquisa mostra que um fator determinante para o destino do crédito não é apenas a decisão individual do produtor, mas as condições do território onde o recurso financeiro é liberado.
Em municípios da Amazônia com desmatamento antigo, onde há maior proporção de terras formalizadas, fiscalização presente, e áreas produtivas consolidadas, o crédito encontra limites claros. Expandir custa caro. Desmatar é mais difícil. O dinheiro tende a buscar outro destino: tecnologia, equipamentos, insumos e produtividade.
Já em fronteiras remotas, o cenário é outro. Há floresta abundante, baixa presença do poder regulador do Estado, insegurança sobre a posse da terra e áreas extensas nas quais abrir pasto pode ser mais barato do que recuperar áreas degradadas. Nesse contexto, o crédito não chega a uma economia organizada. Ele chega para alimentar uma disputa territorial em andamento.
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Importância do planejamento funcional da propriedade
Fonte: Artigo de Afonso Peche Filho, Pesquisador Científico do Instituto Agronômico de Campinas – IAC. - Planejar uma propriedade rural significa muito mais do que distribuir culturas, estradas, construções e áreas de conservação dentro de seus limites territoriais. Significa compreender que cada parte da propriedade desempenha determinadas funções e que o desempenho do conjunto depende da qualidade das relações estabelecidas entre essas diferentes unidades. Nesse sentido, o Planejamento Funcional da Propriedade Rural representa uma abordagem estratégica para organizar o espaço agrícola como um sistema integrado de produção, conservação, infraestrutura, circulação, biodiversidade e manejo dos recursos naturais.
A proposta desenvolvida pelo Instituto Agronômico de Campinas – IAC parte do princípio de que a propriedade rural pode ser interpretada a partir de seis unidades funcionais fundamentais: áreas de Produção, Proteção, Construídas, Locomoção, Lindeiras e Úmidas. Essa classificação permite superar uma visão simplificada da propriedade como mera superfície produtiva e avançar para uma leitura sistêmica do território rural.
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Unidades de conservação estocam 33 anos de emissões nacionais
Levantamento mostra que áreas protegidas concentram 19,4 gigatoneladas de carbono; “Congresso pode se tornar maior fonte de emissões”, diz especialista
Fonte: Aldem Bourscheit, Observatório do Clima - Levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) feito a pedido do Observatório do Clima mostra que, no Brasil, as unidades de conservação terrestres, em todas as categorias, armazenam 19,4 gigatoneladas de carbono. Convertido para CO2, esse estoque equivale a 33 anos de emissões brasileiras de gases de efeito estufa no ritmo atual – 2,145 GtCO2e em 2024, o último dado disponível. Os recentes ataques do Congresso às áreas protegidas, no entanto, colocam esse estoque em risco.
“Os projetos em tramitação ameaçam um patrimônio ambiental de todos os brasileiros e o equilíbrio climático mundial”, diz Paulo Moutinho, pesquisador sênior do Ipam, em referência às propostas do Legislativo que visam reduzir, reclassificar ou extinguir unidades de conservação no Brasil. “Os parlamentares que apoiam esses projetos podem transformar o Congresso na principal fonte de emissões de gases de efeito estufa do país”, reforça.
Coextinção: quando a perda de uma espécie significa o fim de outra
Pesquisa mostra que a perda de morcegos no Brasil pode provocar a coextinção de dezenas de moscas ectoparasitas especializadas invisibilizadas pela conservação
Fonte: Duda Menegassi ((o))eco - A extinção de uma espécie, mais do que um fim em si própria, pode gerar um efeito cadeia com graves consequências para todo um ecossistema. Existem situações em que a perda de uma espécie pode levar à perda de outra, que depende da primeira para sobreviver. É o que cientistas chamam de coextinção. E essas perdas muitas vezes são silenciosas, envolvendo criaturas pequenas e comumente invisibilizadas, como alerta um estudo recém-publicado que analisou a relação altamente especializada entre moscas parasitas e seus morcegos hospedeiros no Brasil.
A pesquisa analisou o risco de coextinção entre 182 espécies de morcegos, das quais 66 apresentam relações com parasitas, e 106 espécies de moscas ectoparasitas – aquelas que ficam e se alimentam na superfície externa dos hospedeiros. Estas moscas só parasitam morcegos e são incapazes de sobreviver sem seus hospedeiros, frequentemente numa relação espécie-específica e ainda pouco conhecida, destacam os pesquisadores.
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Fonte: National Geografic - As mudanças climáticas são transformações a longo prazo nos padrões de temperatura e clima. As atividades humanas têm sido o principal impulsionador das mudanças climáticas, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás.
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Custo ambiental da inteligência artificial: pegada de carbono, água e terra
O rápido crescimento da IA impulsiona um enorme consumo de energia, água e terra, aumentando os desafios ambientais e de equidade em toda a sua infraestrutura global
Fonte: United Nations University (Ecodebate) - O relatório Environmental Cost of AI’s Energy Use: Carbon, Water and Land Footprints (Custo Ambiental da Inteligência Artificial: Pegadas de Carbono, Água e Terra, do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde) da Universidade das Nações Unidas (UNU-INWEH), em seu 30º aniversário, examina uma das consequências menos exploradas da rápida expansão da IA: as pegadas ambientais da energia necessária para alimentá-la.
À medida que a inteligência artificial se incorpora às economias, aos serviços públicos, à pesquisa, à comunicação e à vida cotidiana, ela depende de uma infraestrutura física crescente de centros de dados, chips avançados, sistemas de refrigeração, redes elétricas, recursos hídricos, terras e cadeias de suprimento de minerais críticos. O relatório mostra que a IA não é apenas uma tecnologia digital, mas também um sistema material com custos ambientais mensuráveis.
O relatório vai além de uma perspectiva focada apenas no carbono, quantificando as pegadas de carbono, água e terra associadas à eletricidade usada para treinar, implantar e operar sistemas de IA em larga escala. Sua principal conclusão é que os custos ambientais da IA dependem não apenas da quantidade de eletricidade consumida, mas também de onde essa eletricidade é gerada e quais fontes de energia a alimentam.
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| Foto: Fabiana Piontekowski Ribeiro / EMBRAPA |
Operação intensifica combate à pesca ilegal e apreende mais de 100 toneladas de pescado
Ação do Ibama e de órgãos parceiros busca proteger a migração reprodutiva da tainha e combater a pesca industrial ilegal nas regiões Sul e Sudeste
Fonte: Vitória Rosendo (Canal Rural) - Fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreenderam 104 toneladas de pescado ilegal e aplicaram R$ 6 milhões em multas, no litoral do Rio Grande do Sul.
Esse foi o resultado das etapas 1 e 2 da Operação Mugil, que visa à proteção da tainha (Mugil liza) nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. A ação, que envolve diversas instituições, teve início em maio e vai até julho. O foco da operação é o controle da pesca ilegal industrial.
A fiscalização começou no Rio Grande do Sul, especificamente na Lagoa dos Patos, em Rio Grande (RS), o maior criadouro da espécie nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, onde a tainha se desenvolve desde sua fase larval.
Inicialmente, as patrulhas ficaram concentradas na área de proibição de pesca de emalhe, no canal e na desembocadura do Estuário da Lagoa dos Patos, local estratégico por onde os cardumes de tainha passam para migração da população desovante.
Nova lei enfraqueceu licenciamento ambiental e o transformou em exceção
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| Painel de votação do Senado na sessão do PL do Licenciamento Ambiental. Foto: Andressa Anholete / Agência Senado |
Apelidada de “mãe de todas as boiadas”, a lei criou amplas possibilidades de licenças autodeclaratórias e dispensas de licenciamento, e limitou atuação de órgãos de proteção
Fonte: ((O))Eco - Gabriel Tussini - O PL da Devastação, como ficou conhecido o que viria a se tornar a Lei Geral do Licenciamento Ambiental (lei 15.190/25), é talvez o mais significativo de todo o Pacote da Destruição, expressão usada para designar o conjunto de projetos propostos (ou modificados) no Congresso durante o governo Bolsonaro com objetivo de enfraquecer a legislação ambiental. Apelidada ainda de “mãe de todas as boiadas”, a norma transformou o licenciamento em exceção, com amplas dispensas e licenciamentos autodeclaratórios.
Como detalhamos à época de sua tramitação no Senado, o projeto enfraquece a proteção a indígenas, quilombolas e unidades de conservação, cria possibilidades abrangentes de licenciamento sem vistoria prévia, de dispensas de licenciamento e de renovações automáticas para todos os tipos de licenças, enfraquece condicionantes ambientais e a participação popular por meio de audiências públicas, além de abrir possibilidade para que estados e municípios possam definir, sem coordenação nacional, listas de atividades que devem – e, principalmente, que não devem – passar por licenciamento ambiental.
Outro aspecto importante é a liberação de “serviços e obras direcionados à manutenção e ao melhoramento da infraestrutura em instalações preexistentes ou em faixas de domínio e de servidão, incluídas rodovias anteriormente pavimentadas e dragagens de manutenção” – trecho feito sob medida para a pavimentação da BR-319, entre Manaus e Porto Velho. A pavimentação, segundo especialistas, deve levar a uma “explosão do desmatamento” nos seus arredores, já pressionados pelo Arco do Desmatamento.
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