Fabricantes investigados se tornaram defensores da proteção da espécie — e o que isso revela sobre o futuro
Fonte: Augusta Lunardi, Giacomo Zandonini, Natália Alana (Agência Pública) - No interior do Espírito Santo, uma rua estreita concentrava algumas das principais empresas brasileiras de fabricação de arcos de violino: Arcos Brasil, Archets Brasil, Bogen Schaeffer e Horst John & Co. O polo no distrito de Guaraná, em Aracruz, havia se consolidado nas décadas de 1970 e 1980, quando o comerciante alemão Horst John se estabeleceu na região e passou a enviar jovens locais à Europa para aprender a arte da archeteria.
Segundo as autoridades brasileiras, o que parecia um polo artesanal especializado escondia um sofisticado esquema de extração e comercialização ilegal do pau-brasil — a árvore que dá nome ao país e que, após séculos de exploração, figura hoje entre as mais ameaçadas da Mata Atlântica. A madeira avermelhada da espécie é considerada, há séculos, a matéria-prima ideal para arcos de instrumentos de corda, e um único arco pode custar entre cinco e 10 mil dólares no mercado internacional.

