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30/08/2026

ICMBio aprova plano nacional para proteger tamanduá-bandeira e tatus ameaçados

Estratégia terá cinco anos e mira atropelamentos, incêndios, agrotóxicos e perda de habitat.

Fonte: Erik Silva, Folha MS - Quatro espécies de mamíferos ameaçados de extinção ganharam um plano nacional de conservação aprovado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) cria o PAN Tamanduá e Tatus, com vigência de 1º de setembro de 2026 a 1º de setembro de 2031. Entre os animais protegidos estão o tamanduá-bandeira, o tatu-canastra, o tatu-bola e o tatu-bolinha, espécies que ocorrem em Mato Grosso do Sul, especialmente no Pantanal.

O programa prevê ações para reduzir colisões de veículos com esses animais, já que eles são frequentemente encontrados mortos às margens de rodovias no estado. Também estão previstas medidas contra a destruição de habitats, incêndios, uso de agrotóxicos e outros contaminantes. Os detalhes das ações serão definidos em uma matriz de planejamento que o ICMBio vai disponibilizar e atualizar em seu portal.
17/06/2026

Desertos verdes e os conflitos ocultos da economia da celulose

Foto: Fabiana Piontekowski
Ribeiro / EMBRAPA
Quando a monocultura substitui ecossistemas complexos, reduz a variedade de habitats, altera a composição da fauna e da flora e compromete relações ecológicas

Fonte: Reinaldo Dias (Site Ecodebate) - Os chamados desertos verdes avançam sobre territórios rurais substituindo ecossistemas diversos, formas de produção de alimentos e paisagens socialmente ocupadas por extensas áreas homogêneas de eucalipto. Esse modelo concentra terras e decisões econômicas, pressiona recursos hídricos, reduz habitats, ameaça polinizadores, fragiliza a agricultura familiar e subordina municípios inteiros às necessidades de uma cadeia industrial voltada prioritariamente à exportação. Sob a aparência de uma cobertura vegetal contínua, instala-se uma organização territorial comandada por poucas grandes corporações, na qual a diversidade ecológica e produtiva cede espaço à uniformidade exigida pela produção de celulose. O eucalipto, isoladamente, não constitui o problema. Sua madeira possui múltiplas aplicações na fabricação de papel, móveis, materiais de construção e energia, além de poder reduzir, em determinadas condições, a exploração direta de florestas nativas. Os efeitos socioambientais graves surgem quando essa utilidade é incorporada a um modelo de monocultura em larga escala, espacialmente uniforme e concentrado, que destina extensas áreas às necessidades da indústria da celulose, reduzindo a diversidade de usos da terra e ampliando o controle de grandes empresas sobre o território.

O Vale da Celulose e a nova fronteira do eucalipto em Mato Grosso do Sul

A expansão acelerada das plantações industriais de eucalipto em Mato Grosso do Sul revela uma das contradições mais importantes do debate socioambiental contemporâneo, pois nem toda paisagem verde representa recuperação ecológica, assim como nem todo crescimento econômico territorialmente concentrado se traduz em desenvolvimento equilibrado para as populações locais. No leste do estado, a formação do chamado Vale da Celulose passou a simbolizar uma nova fronteira produtiva, marcada por investimentos bilionários, aumento das exportações, atração de grandes empresas e redefinição do uso da terra. A substituição de áreas de Cerrado, pastagens, pequenas propriedades, assentamentos rurais e mosaicos produtivos por extensas monoculturas de eucalipto recoloca, sob novas condições, uma questão conhecida em outras regiões brasileiras: uma plantação homogênea pode parecer floresta quando vista de longe, mas não reproduz a complexidade ecológica, hídrica e social de um território vivo.

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