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29/07/2026

Importância do planejamento funcional da propriedade

Planejar funcionalmente significa reconhecer relações, fluxos, complementaridades e possíveis conflitos entre os diferentes ambientes da propriedade

Fonte: Artigo de Afonso Peche Filho, Pesquisador Científico do Instituto Agronômico de Campinas – IAC. - Planejar uma propriedade rural significa muito mais do que distribuir culturas, estradas, construções e áreas de conservação dentro de seus limites territoriais. Significa compreender que cada parte da propriedade desempenha determinadas funções e que o desempenho do conjunto depende da qualidade das relações estabelecidas entre essas diferentes unidades. Nesse sentido, o Planejamento Funcional da Propriedade Rural representa uma abordagem estratégica para organizar o espaço agrícola como um sistema integrado de produção, conservação, infraestrutura, circulação, biodiversidade e manejo dos recursos naturais.

A proposta desenvolvida pelo Instituto Agronômico de Campinas – IAC parte do princípio de que a propriedade rural pode ser interpretada a partir de seis unidades funcionais fundamentais: áreas de Produção, Proteção, Construídas, Locomoção, Lindeiras e Úmidas. Essa classificação permite superar uma visão simplificada da propriedade como mera superfície produtiva e avançar para uma leitura sistêmica do território rural.

25/07/2026

Seca e colapso hídrico revelam a desigualdade da água no Brasil

A crise hídrica brasileira não decorre de uma causa isolada. Resulta da combinação entre mudanças climáticas, degradação ambiental, infraestrutura insuficiente, concentração dos usos e desigualdade social

Reinaldo Dias, Ecodebate - A atualização de junho de 2026 do Monitor de Secas, divulgada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, mostrou que algum grau de seca atingia 45% do território brasileiro, percentual inferior aos 50% registrados em maio, embora o fenômeno permanecesse presente em todas as regiões. O Sudeste apresentava a maior proporção territorial afetada, com 76% de sua área sob algum grau de seca, enquanto, no Rio de Janeiro, a área atingida havia aumentado de 52% para 68% do estado. A oscilação mensal não indica o encerramento da crise. Mostra uma seca extensa, móvel e capaz de alcançar, em diferentes momentos, áreas amazônicas, zonas agrícolas, regiões metropolitanas e territórios antes considerados menos vulneráveis.

A expansão geográfica das estiagens modifica a compreensão tradicional do problema. A escassez já não pode ser atribuída apenas às condições naturais do semiárido, pois também resulta da alteração do regime de chuvas, do aumento das temperaturas, da supressão da vegetação, da degradação dos solos e da ocupação de mananciais. Enchentes intensas e secas prolongadas passam a ocorrer dentro de um mesmo sistema hídrico desorganizado, no qual a água escoa rapidamente durante as chuvas e deixa de ser armazenada nos solos, nas áreas úmidas e nos aquíferos.
11/07/2026

Pantanal perdeu entre 69% e 81% de sua água superficial desde 1985

Estudo reforça perda significativa da água superficial no Pantanal brasileiro

Fonte: Ecodebate - Pesquisadores apontam que a maior planície alagada do mundo está sendo afetada negativamente pelas atividades humanas e pelas mudanças climáticas; níveis de precipitação não têm sido suficientes para recuperar o estoque hídrico do bioma
O Pantanal é considerado a maior planície alagada do mundo, com uma área de aproximadamente 150 mil km², que se estende por Paraguai, Bolívia e Brasil. A vasta presença de águas superficiais no bioma é fundamental para a manutenção de uma rica biodiversidade, que contempla mais de 650 espécies de aves, 150 espécies de mamíferos, 325 espécies de peixes e 2.270 espécies de plantas, além de realizar um papel de grande importância para o equilíbrio ecológico, sequestro de carbono, entre outros serviços ecossistêmicos essenciais.

Um estudo realizado por pesquisadores da Unesp em parceria com outros colegas brasileiros, entretanto, reforça o estado crítico dos corpos d’água localizados no bioma, que há décadas vem apresentando um declínio contínuo e acentuado. Segundo o artigo publicado na revista Advances in Space Research, o Pantanal perdeu entre 69,6% e 81,4% de sua água superficial desde 1985, e o regime atual de precipitações não está dando conta de repor o estoque hídrico da região.

Os pesquisadores apontam a mudança no uso da terra decorrente das atividades humanas e as mudanças climáticas como responsáveis pela variabilidade hídrica negativa das últimas décadas. Segundo o engenheiro florestal Sérvio Túlio Pereira Justino, um dos autores do artigo, esse é o maior trabalho sobre o tema já realizado no Pantanal, pois abrange as mudanças ocorridas nas águas superficiais localizadas na parte brasileira do bioma ao longo das últimas quatro décadas.
07/07/2026

Pantanal brasileiro perdeu cerca de 80% da água superficial em 40 anos, aponta pesquisa

O Pantanal hoje conhecido mundialmente não sobreviverá a maiores alterações em seu regime hidrológico natural. Foto: Saul Schramm / Governo do MS
Estudo inédito mostra que o bioma sofreu uma redução de cerca de 80% da água superficial desde 1985, comprometendo a biodiversidade e serviços ecossistêmicos essenciais.

Fonte: Mariana Dawas ((o))eco - O Pantanal, a maior planície alagada do planeta com aproximadamente 150 mil km² distribuídos entre Brasil, Paraguai e Bolívia, perdeu cerca de 80% de sua água superficial entre 1985 e 2023. É o que revela um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em parceria com outras instituições brasileiras, publicado na revista Advances in Space Research.

A pesquisa analisou 38 anos de imagens de satélite e dados de precipitação para mapear a variação espaço-temporal dos corpos d’água na porção brasileira do bioma. A área ocupada por água superficial encolheu de 19.781,34 km² em 1985 para 3.817,65 km² em 2023, uma redução de 80,7% segundo dados do MapBiomas.

O desenvolvimento do estudo foi construido a partir da combinação de quatro índices espectrais aplicados a imagens de satélite, sendo eles o Índice de Água por Diferença Normalizada (NDWI), o Índice de Água por Diferença Normalizada Modificada (MNDWI), o Índice de Proporção de Água (WRI) e o Índice Automatizado de Extração de Água (AWEI). 

Os pesquisadores analisaram imagens dos anos de 1985, 1990, 1995, 2000, 2005, 2010, 2015, 2020 e 2023, gerando 36 mapas que revelaram as variações espaço-temporais no Pantanal brasileiro. A redução da área superficial da água variou entre 69,6% e 81,4%, confirmando a tendência.  
29/06/2026

Custo ambiental da inteligência artificial: pegada de carbono, água e terra

O rápido crescimento da IA impulsiona um enorme consumo de energia, água e terra, aumentando os desafios ambientais e de equidade em toda a sua infraestrutura global

Fonte: United Nations University (Ecodebate) - O relatório Environmental Cost of AI’s Energy Use: Carbon, Water and Land Footprints (Custo Ambiental da Inteligência Artificial: Pegadas de Carbono, Água e Terra, do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde) da Universidade das Nações Unidas (UNU-INWEH), em seu 30º aniversário, examina uma das consequências menos exploradas da rápida expansão da IA: as pegadas ambientais da energia necessária para alimentá-la.

À medida que a inteligência artificial se incorpora às economias, aos serviços públicos, à pesquisa, à comunicação e à vida cotidiana, ela depende de uma infraestrutura física crescente de centros de dados, chips avançados, sistemas de refrigeração, redes elétricas, recursos hídricos, terras e cadeias de suprimento de minerais críticos. O relatório mostra que a IA não é apenas uma tecnologia digital, mas também um sistema material com custos ambientais mensuráveis.

O relatório vai além de uma perspectiva focada apenas no carbono, quantificando as pegadas de carbono, água e terra associadas à eletricidade usada para treinar, implantar e operar sistemas de IA em larga escala. Sua principal conclusão é que os custos ambientais da IA ​​dependem não apenas da quantidade de eletricidade consumida, mas também de onde essa eletricidade é gerada e quais fontes de energia a alimentam.

21/05/2026

A importância ecológica dos ambientes ciliares

Fonte:Afonso Peche Filho (Ecodebate) - Os ambientes ciliares constituem formações ecológicas associadas às margens de rios, córregos, nascentes, lagos e demais corpos d’água, ocupando uma faixa de transição altamente dinâmica entre os ecossistemas terrestres e aquáticos. Sua importância não se resume à presença de vegetação junto à água. Na realidade, trata-se de ambientes funcionalmente complexos, nos quais interagem solo, relevo, água, flora, fauna, serrapilheira, microrganismos e processos hidrológicos, biogeoquímicos e ecológicos. Por essa razão, compreender a importância ecológica dos ambientes ciliares exige superar uma visão simplificada de “faixa de proteção” e reconhecê-los como sistemas vivos essenciais à integridade da paisagem.

Do ponto de vista ecológico, os ambientes ciliares exercem papel estruturante na organização funcional das bacias hidrográficas. Isso ocorre porque sua posição na paisagem faz com que recebam, filtrem, retardem, transformem e redistribuam fluxos de água, sedimentos, nutrientes e organismos. Tudo aquilo que se processa nas áreas mais altas e produtivas da bacia tende, em alguma medida, a repercutir nas zonas ciliares. Assim, esses ambientes funcionam como espaços de convergência ecológica, onde se expressam tanto os efeitos positivos de um manejo conservacionista quanto os impactos acumulados da degradação ambiental. Sua condição, portanto, pode ser entendida como um indicador sensível da qualidade ecológica do território.
07/03/2017

Contaminação ambiental por cemitérios

Roberto Naime, Ecodebate - Um dos maiores especialistas do país, na contaminação gerada pela percolação de necrochorume nos terrenos, é o geólogo Leziro Marques da Silva que atua na área há algumas décadas. Alicerçado em observações realizadas por este agente ambiental, se estima que cerca de 75% dos cemitérios do país tenham problemas com vazamentos de necrochorume, que é o líquido resultante da decomposição dos corpos, e que contamina preferencialmente aquíferos freáticos e eventualmente reservas subterrâneas.
Dados registram que num intervalo de até seis meses após a morte, um corpo de 70 quilos tende a perder até 30 quilos em forma de necrochorume. A contaminação do lençol freático, em locais em que a profundidade da água é muito pequena, é de natureza química e microbiológica, com os materiais podendo contaminar os seres vivos de qualquer natureza, com uma série de moléstias e doenças infectocontagiosas.
15/02/2017

A água brasileira corre para as multinacionais

Flávio José Rocha da Silva, Ecodebate - A história do Brasil, não é novidade, foi forjada por uma sucessão de saques contra as nossas riquezas naturais. A lista é longa: pau-brasil, açúcar, ouro, diamantes, algodão, café, ferro, borracha, nióbio, sal, mogno, petróleo, etc. Como o que está ruim pode piorar, como diria um pessimista empedernido, eis que agora podemos acrescentar a água a esta lista.
Antes já comprovadamente explorada na irrigação e dando base para o que hoje é chamado de “exportação da água virtual” com a venda de frutas e de soja para fora do país (há outros itens, mas estes são os mais relevantes atualmente), o controle dos recursos hídricos avança no país por parte das multinacionais. A água nossa de cada dia já gera, há muito tempo, lucro para alguns grupos econômicos estrangeiros vindos de países sem a mesma abundância em mananciais como tem Brasil. Há razões para essas empresas se instalarem aqui no nosso país. Basta afirmar que para produzir 1 quilo de banana são gastos 790 litros de água, segundo o site da Waterfootprint2(organização que mede o gasto de água para produzir alguns alimentos e produtos). No caso da soja, para produzir 1 quilo desta leguminosa são necessários 1.500 litros de água. Adivinhe o nome do país que se tornou o maior produtor de soja no mundo
10/07/2015

Desperdício de água no Brasil = seis Cantareiras

Pedro Peduzzi, Agência Brasil – Além de despejar todo dia o equivalente a 5 mil piscinas de esgoto em seus rios, o Brasil desperdiça, por ano, um volume de água que corresponde a seis sistemas Cantareira. As comparações foram apresentadas, na quarta-feira (8), pelo presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, em audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado. O instituto é uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip), formado por empresas com interesse nos avanços do saneamento básico e na proteção dos recursos hídricos do país.

Mudanças na ISO14001: padrões de sustentabilidade

Reinaldo Dias, Ecodebate - Em setembro deverá ocorrer o lançamento oficial da ISO14001:1015, que estabelece normas para a implantação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGS). A partir de então as empresas que já possuem o certificado terão um período de transição de três anos para se adaptarem às novas exigências do padrão internacional.
A norma ISO14001 é a ferramenta de gestão mais difundida no mundo, utilizada por mais de 250.000 organizações, em 167 países. A certificação desta norma ajuda a prevenir, evitar, reduzir ou controlar os impactos ambientais, utilizando métodos adequados. Uma de suas vantagens é transmitir o compromisso assumido pela organização de forma direta e crível. Os benefícios econômicos de sua aplicação estão na otimização do consumo de energia, de matérias primas e água e pela melhoria dos processos, além de reduzir os riscos legais de recebimento de multas.
22/05/2015

Árvores ajudam a conservar água no solo em sistema integrado com lavoura

Gabriel Faria, Ecodebate - As perdas de água pelo escoamento superficial são menores em sistemas de integração lavoura-floresta do que em sistemas produtivos apenas com culturas anuais. Isso é o que indicam os primeiros dados coletados pela Embrapa Agrossilvipastoril em um experimento realizado em Sinop (MT).
A pesquisa, que ainda está em andamento, comparou o volume de perda de solo e o escoamento da água da chuva em seis situações: solo descoberto, lavoura (rotação soja e milho com braquiária), integração lavoura-floresta, pastagem, silvicultura de eucalipto e mata nativa.
09/04/2015

Água Boa

Uma experiência de preservação de nascentes através da implantação de sistemas agroflorestais em Araponga, Zona da Mata de Minas Gerais.


Créditos: Cecília Figueiredo. Realização: Articulação Nacional de Agroecologia. Cipó Caboclo Vídeos. Apoio Local: CTA - Zona da Mata Universidade Federal de Viçosa
25/11/2014

Poços e contaminação põem em risco águas subterrâneas de SP

O cruzamento dos dados de monitoramento da água e de solos aponta que mais de sete bacias hidrográficas se encontram em áreas vulneráveis

SOS Mata Atlântica - O uso da água subterrânea como alternativa para a grave crise hídrica em São Paulo requer cuidados e planejamento. Apesar dos aquíferos formarem uma grande reserva estratégica de água para captações atuais e futuras, o uso intensivo e contaminações já comprometem essa fonte em várias regiões do Estado. Atualmente, 462 municípios paulistas, cerca de 72% do Estado, são total ou parcialmente abastecidos por água subterrânea e atendem a uma população de mais de 5,5 milhões de pessoas.
09/11/2014

Crise de energia e de água traz à tona desperdício nacional

Economia. Domingos Filho, síndico: “Pode ficar sem chover seis meses que temos água sem gastar nada da Cedae" - Gustavo Stephan
Karla Mendes, O Globo - “Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo!” A impressão de Pero Vaz de Caminha de que os recursos hídricos brasileiros são inesgotáveis foi imortalizada em carta enviada ao rei de Portugal, D. Manuel, em 1º de maio de 1500, e perdura no imaginário de boa parte da população brasileira, 514 anos depois.
E esta noção equivocada — que vê um bem finito como infinito — orienta a relação de muitos cidadãos com os usos da água, afirmam os especialistas. Recurso, no caso brasileiro, é ainda a principal fonte de energia.
05/06/2014

Crise no sistema Cantareira deve fazer população repensar consumo de água

Helio Mattar, UOL - O debate sobre a seca antológica em São Paulo entrou em um novo capítulo diante do fim da época de chuvas. Elas não vieram. O sistema Cantareira, que abastece mais da metade da região metropolitana, corre o risco de não seguir abastecendo. O comitê anticrise, que monitora a seca, se preocupa com uma nova estiagem no fim do ano, depois de termos vivido o verão mais seco em 84 anos.
Sem mascarar a gravidade da crise, há nela uma grande oportunidade de mudar o formato de consumo de água, com o engajamento cidadão de todos a uma postura mais consciente.
Se cada um dos 8,8 milhões de habitantes da região metropolitana de São Paulo, que são abastecidos pelo sistema Cantareira, reduzir em 20 minutos sua utilização diária de água, juntos adiaremos em um dia o esgotamento desse sistema. O cálculo, realizado pelo Instituto Akatu, foi feito para o cenário da vazão média do Cantareira em abril, de 23,9 mil litros por segundo.
24/12/2013

O carro movido a água

Você só vai precisar de uma torneira para abastecer o carro
Revista Super Interessante - Flex mesmo é este aí. É só colocar 45 litros de água que ele roda tanto quanto um carro comum com 40 litros de gasolina no tanque. E sem emitir poluentes. Na verdade, trata-se de um carro a hidrogênio – coisa que já existe há décadas. Só que este é o primeiro capaz de tirar esse combustível direto das moléculas de H2O. Ninguém tinha feito isso antes porque separar o H (hidrogênio) do O (oxigênio) é uma tarefa dura. Gasta-se mais energia para romper esse casamento atômico do que se ganha depois queimando o hidrogênio. Então nunca valeu a pena. Mas agora um grupo de engenheiros mecânicos da Universidade de Minnesota (EUA) descobriu um jeito de fazer isso praticamente sem gastar energia. O segredo é pôr a água para reagir com um elemento químico chamado boro dentro do carro. Esse mineral tem o poder de quebrar o H2O, liberando hidrogênio puro a partir da água que você põe no tanque. O boro até que se desgasta rápido. “Mas pode ser reciclado infinitas vezes e voltar para o carro”, diz Tareq Abu-Hamed, líder do grupo que desenvolve o projeto. Esse sistema ainda está em testes. Mas já tem gente se preparando para ele. O governo da Turquia, por exemplo. O país é dono de 64% das reservas mundiais de boro e, quando soube dessa tecnologia, avisou que não vai mais privatizar suas minas.

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