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17/06/2026

Desertos verdes e os conflitos ocultos da economia da celulose

Foto: Fabiana Piontekowski
Ribeiro / EMBRAPA
Quando a monocultura substitui ecossistemas complexos, reduz a variedade de habitats, altera a composição da fauna e da flora e compromete relações ecológicas

Fonte: Reinaldo Dias (Site Ecodebate) - Os chamados desertos verdes avançam sobre territórios rurais substituindo ecossistemas diversos, formas de produção de alimentos e paisagens socialmente ocupadas por extensas áreas homogêneas de eucalipto. Esse modelo concentra terras e decisões econômicas, pressiona recursos hídricos, reduz habitats, ameaça polinizadores, fragiliza a agricultura familiar e subordina municípios inteiros às necessidades de uma cadeia industrial voltada prioritariamente à exportação. Sob a aparência de uma cobertura vegetal contínua, instala-se uma organização territorial comandada por poucas grandes corporações, na qual a diversidade ecológica e produtiva cede espaço à uniformidade exigida pela produção de celulose. O eucalipto, isoladamente, não constitui o problema. Sua madeira possui múltiplas aplicações na fabricação de papel, móveis, materiais de construção e energia, além de poder reduzir, em determinadas condições, a exploração direta de florestas nativas. Os efeitos socioambientais graves surgem quando essa utilidade é incorporada a um modelo de monocultura em larga escala, espacialmente uniforme e concentrado, que destina extensas áreas às necessidades da indústria da celulose, reduzindo a diversidade de usos da terra e ampliando o controle de grandes empresas sobre o território.

O Vale da Celulose e a nova fronteira do eucalipto em Mato Grosso do Sul

A expansão acelerada das plantações industriais de eucalipto em Mato Grosso do Sul revela uma das contradições mais importantes do debate socioambiental contemporâneo, pois nem toda paisagem verde representa recuperação ecológica, assim como nem todo crescimento econômico territorialmente concentrado se traduz em desenvolvimento equilibrado para as populações locais. No leste do estado, a formação do chamado Vale da Celulose passou a simbolizar uma nova fronteira produtiva, marcada por investimentos bilionários, aumento das exportações, atração de grandes empresas e redefinição do uso da terra. A substituição de áreas de Cerrado, pastagens, pequenas propriedades, assentamentos rurais e mosaicos produtivos por extensas monoculturas de eucalipto recoloca, sob novas condições, uma questão conhecida em outras regiões brasileiras: uma plantação homogênea pode parecer floresta quando vista de longe, mas não reproduz a complexidade ecológica, hídrica e social de um território vivo.
10/08/2017

Impactos Ambientais dos Eucaliptos

Roberto Naime, Ecodebate - As questões ambientais ganham importância cada vez maior para a sustentabilidade do desenvolvimento socioeconômico das nações. Isto inclui questões relativas aos impactos ambientais de florestas de eucalipto, sobre a água, o solo, a biodiversidade e a atmosfera.
Assertivas generalistas devem ser recebidas com ressalvas, pois de acordo com as análises elaboradas, os impactos ambientais das florestas de eucalipto dependem, fundamentalmente, das condições prévias ao plantio, da densidade pluviométrica, do tipo de solo, da declividade dos solos e da distância das bacias hidrográficas.
E também das técnicas agrícolas empregadas como densidade do plantio, métodos de colheita, presença ou não de corredores biológicos e atividades consorciadas.
09/02/2013

Florestas plantadas fazem do meio ambiente deserto verde

Wagner Giron de la Torre, Revista Consultor Jurídico - As empresas nacionais e transnacionais cingidas ao setor de produção de papel e celulose investem muito na vã tentativa de consolidar a imagem do monocultivo do eucalipto como sendo florestas plantadas, no claro intento de escamotear os severos e até hoje imensurados impactos socioambientais defluentes da escala oceânica da expansão irrefreada dessa espécie monocultural no território nacional[1], já presente em vários estados como Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Maranhão, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul dentre outros.[2]
Essas “florestas plantadas” – não podemos olvidar – são formadas pelo cultivo de uma única espécie exótica (o eucalipto), a partir de formas clonais das espécies Eucalyptus grandis e Eucalyptusuropphylla[3], e implantadas sobre biomas como Mata Atlântica, Cerrado Floresta Amazônica e Pampa através da incidência massiva de pesticidas químicos à base de glifosato[4], ou do formicida Mirex, à base de Sulfluramida[5], dentre outros agrotóxicos, a fim de eliminar a presença do que os gestores dos manejos denominam de “ervas daninhas”, matinhos rasteiros, formigas e outros elementos naturais potencialmente nocivos ao esperado desenvolvimento das clonadas mudinhas, em processo tecnicamente conhecido como capina química.

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