História: José Lutzenberger

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30/09/2026

Como a Amazônia pode conquistar novos mercados além de China, EUA e UE?

Navio carregado de contêineres navega pelo canal do Estuário de Santos, na entrada do Porto de Santos. Foto: Eduardo Knapp/Folhapress
Pecuária brasileira precisa melhorar controles sanitários e ambientais para acessar novos mercados, analisam especialistas

Fonte: Alice Martins Morais, ((o))eco - O gado que sai da Amazônia já chega em países compradores importantes do mercado internacional, como China, Estados Unidos e União Europeia (UE), mas essas relações comerciais estão instáveis e o setor tem espaço ainda para crescer, especialmente se focar no aumento da produtividade sem novos desmatamentos. É o que avalia Camila Trigueiro, pesquisadora do Imazon, que destaca que o Governo Federal tem se aproximado de outros países que importam carne, como o Japão e a Coreia do Sul.

Segundo Trigueiro, o mercado dos Estados Unidos está instável desde o tarifaço e a cota de importação permitida na China já esgotou neste ano para o Brasil. Então, existe um receio do setor de o Brasil acabar perdendo mercado e, por isso, há um movimento para diversificar as opções de compradores. “São potencialmente mercados interessantes para o Brasil, que ainda não acessamos por vários motivos”, complementa.
29/09/2026

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA: O Maior Desafio da Humanidade


Fonte: @cienciatododia - A história da humanidade é também a história da energia. Toda grande inovação e mudança foi em algum nível causada por transições energéticas. Começamos no fogo, depois buscamos outras fontes. Passamos por carvão, vapor, petróleo e hoje passamos por um dos maiores desafios que enfrentamos como humanidade: como podemos gerar energia limpa e ao mesmo tempo suprir a nossa demanda energética?
Assista aos painéis da Shell Talks aqui: http://shell.com.br/talks
28/09/2026

Crise climática influencia pautas e ações de movimentos sociais no Brasil

Sob diversas formas, ativistas unem forças, criam repertórios de ação e mobilizam uma miríade de iniciativas para enfrentar essa nova era imposta ao planeta pela exploração capitalista

Fonte: Vilson Vieira Junior, jornalista e Mestre em Ciências Sociais, Ecodebate - A sociedade civil se vê diante de uma realidade desafiadora, como poucas na história: a emergência climática. Com eventos naturais devastadores a castigar territórios marcados por desigualdades sociais e danos ambientais, a mobilização popular eclode como resposta aos imperativos do clima.

É nesse cenário que se trava a luta por justiça climática, a qual gera impactos nos movimentos sociais, redefinindo a organização coletiva e as estratégias de ação.

Sob diversas formas, ativistas unem forças, criam repertórios de ação e mobilizam uma miríade de iniciativas para enfrentar essa nova era imposta ao planeta pela exploração capitalista. É o que podemos chamar de ação política climática, que adquire faces distintas: seja como protesto, colaboração ou fiscalização – quando o alvo são as instituições públicas -, seja pela mobilização popular independente na busca por soluções. São ações calcadas na pluralidade de atores e diversidade de pautas que dialogam com as causas socioambientais.

27/09/2026

Compostos associados ao câncer são detectados em resíduos de espumas, plásticos e artigos infantis

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima esclareceu que o uso de PBDEs (retardantes bromados) na fabricação de novos aparelhos eletroeletrônicos já é proibido. O risco atual está nos equipamentos antigos, como televisores e monitores de tubo fabricados antes de 2005. O Brasil tem permissão para reciclar esses materiais antigos até 2030 (imagem: Pixabay)
Estudo encontrou em locais de descarte materiais contendo substâncias tóxicas antigamente usadas como plastificantes e retardantes de chama. Sem triagem rigorosa, reciclagem pode se tornar vetor de contaminação, alertam cientistas

Thais Szegö | Agência FAPESP – Um perigo invisível à saúde pública pode estar acumulado nos locais de descarte e desmanche de resíduos sólidos espalhados pelo país. Estudo liderado por pesquisadores brasileiros constatou que espumas e plásticos descartados podem conter altos níveis de substâncias tóxicas usadas antigamente pela indústria como plastificantes e retardantes de chama.

A descoberta acende um sinal amarelo para as políticas de sustentabilidade: se esses materiais forem reaproveitados sem análise química prévia, a reciclagem pode se transformar em um vetor involuntário de contaminação para novos produtos e para o meio ambiente.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (ICTS-Unesp), campus de Sorocaba, em parceria com a Universidade de Birmingham, no Reino Unido, e apontou a presença de ésteres organofosforados clorados em amostras de resíduos sólidos, materiais descartados que ainda podem ser usados por outras pessoas e indústrias.

Esse tipo de substância já foi usado na indústria como retardante de chamas e plastificante. Por causa da sua estabilidade térmica e baixo custo, era muito aplicado em produtos como espumas de poliuretano para móveis e colchões, carcaças plásticas de produtos eletrônicos, artigos infantis e espuma de isolamento para construção civil.

26/09/2026

Amazônia perdeu 690 mil árvores por dia a mais com Bolsonaro do que com Lula

No 3º governo de Lula, a taxa de desmatamento na Amazônia voltou a cair acentuadamente, retomando a trajetória dos dois primeiros mandatos. Mantido o ritmo médio dos últimos anos, a meta de desmatamento zero seria atingida antes de 2028

Fonte: Carolina Dantas · Carolina Passos · Renata Hirota, ((o))eco, (publicado originalmente por InfoAmazonia)

O desmatamento na Amazônia voltou a cair no terceiro mandato de Lula (2023 a 2026), depois de quatro anos de alta durante o governo Jair Bolsonaro (2019 a 2022). Em média, a Amazônia perdeu 690 mil árvores a menos por dia sob Lula 3 do que durante o governo de Jair Bolsonaro.

Esse número é resultado de uma análise da InfoAmazonia com base nos dados do Prodes, sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que gera a taxa oficial de desmatamento. Para chegar à estimativa, calculamos o número de árvores derrubadas nos dois governos a partir da área desmatada e multiplicamos pela média de 565 árvores por hectare de floresta na Bacia Amazônica, metodologia desenvolvida pelo PlenaMata, com base em estudo publicado por mais de 100 cientistas. Em seguida, dividimos o total de árvores estimado pelo número de dias de cada período para chegar à média diária.

Em área desmatada, os números contam a mesma história: nos dois primeiros governos Lula, a taxa caiu 62%; durante o governo Bolsonaro, subiu 54%; e, no terceiro mandato de Lula, já caiu 51%, em comparação a 2022.
25/09/2026

Eleições 2026: 91% dos brasileiros cobram propostas contra a crise climática

Socorro a vítimas de desabamento em São Paulo após recente temporal: pesquisa indica que 91% querem crise climática no programa dos candidatos (Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil – 12/09/2026)
Pesquisa Ipsos encomendada pelo Observatório do Clima ouviu 1.800 brasileiros em todas as regiões do país sobre mudanças climáticas e meio ambiente

Fonte: #Colabora - A preocupação com a crise climática está entre as demandas dos brasileiros para as eleições de outubro. O tema integra a agenda que a população espera ver contemplada pelos candidatos, segundo a pesquisa “Clima e meio ambiente na percepção dos brasileiros”, realizada pela Ipsos a pedido do Observatório do Clima. O levantamento mostrou que 91% dos brasileiros consideram importante que os candidatos nas próximas eleições apresentem propostas para enfrentar as mudanças climáticas. Para 62%, essa é uma questão “muito importante”.

A pesquisa – divulgada nesta quinta-feira (17/09) ouviu 1.800 brasileiros com 18 anos ou mais, em todo o país, entre os dias 17 e 20 de agosto. O questionário, aplicado online, foi composto por 32 perguntas sobre clima e meio ambiente e a presença desses temas na agenda pública e governamental, além de cuidados, atitudes e comportamentos relacionados a essas agendas. O levantamento também incluiu um bloco específico de perguntas sobre o metano.

O levantamento encomendado pelo Observatório do Clima – principal rede da sociedade civil brasileira com atuação na agenda climática, reunindo organizações socioambientais, institutos de pesquisa e movimentos sociais – teve o objetivo de investigar como os brasileiros enxergam as mudanças climáticas e o meio ambiente, o papel do poder público em relação a tais temas, além das prioridades e expectativas diante dos desafios futuros. Os resultados também trazem estratificações por direcionamento político dos respondentes.
23/09/2026

Decisões empresariais ampliam a crise do plástico

A prioridade de proibição deve recair sobre produtos desnecessários, embalagens excessivas e objetos descartáveis que podem ser substituídos por sistemas de reutilização

Fonte: Reinaldo Dias, Ecodebate - Em 6 de setembro de 2026, a quantidade de resíduos plásticos produzida no mundo desde o início do ano ultrapassou a capacidade dos sistemas existentes de administrá-la adequadamente. A data, denominada Plastic Overshoot Day (Dia da Sobrecarga do Plástico) pela organização Earth Action, marca o momento em que o volume de resíduos se torna maior do que a capacidade disponível para coletá-los, tratá-los e reciclá-los. Mesmo que toda a infraestrutura existente funcione dentro de seus limites, uma parcela desses materiais permanecerá sem destinação adequada e poderá ser queimada, abandonada em depósitos irregulares ou dispersa nos ambientes terrestres e aquáticos. Isso acontece porque a produção e o descarte de plásticos crescem mais rapidamente do que a capacidade criada para administrar seus resíduos.

A diferença entre o volume crescente de resíduos plásticos e a capacidade de administrá-los está no centro das negociações conduzidas pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) para a criação do Tratado Global contra a Poluição Plástica. O processo é realizado por um Comitê Intergovernamental de Negociação, formado por representantes dos países integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU). A rodada ocorrida em Genebra, em agosto de 2025, terminou sem consenso, e a reunião realizada em fevereiro de 2026 não resolveu as principais divergências. De um lado, países e organizações defendem limites à produção de plástico novo, fabricado diretamente a partir de petróleo e gás, além do controle de substâncias químicas perigosas e da redução dos produtos descartáveis. De outro, governos ligados à produção de petróleo e setores da indústria petroquímica procuram concentrar o acordo no gerenciamento dos resíduos. A diferença determina se a comunidade internacional enfrentará a origem da crise ou continuará administrando suas consequências.

22/09/2026

Brasil perde mais de R$ 100 bilhões do PIB por ano com crise do clima

Enchente em comunidade na Zona Oeste do Rio de Janeiro, uma das cidades escolhidas para o projeto C40: fortalecimento do orçamento climático (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil – 02/04/2022)
Projeto C40 Cidades, com o apoio de Instituto Clima e Sociedade e o Centro Internacional Celso Furtado, busca fortalecer orçamento climático em sete cidades brasileiras

Fonte: Liana Melo - #Colabora - A crise do clima não é apenas ambiental, é também econômica, fiscal e social. O custo da inação vem superando o da prevenção, enquanto os prejuízos decorrentes da mudança do clima pressionam o orçamento das cidades, à medida que os eventos extremos vêm mostrando seu poder de destruição. E é nas cidades que esses efeitos deletérios são sentidos, seja porque é onde a transição energética ganha infraestrutura, onde o combate ao desmatamento se operacionaliza, onde a recuperação de pastagens se transforma em política agrícola, onde o transporte coletivo é planejado, onde o saneamento é executado e onde a defesa civil atua diante de desastres.

“Tirar os compromissos climáticos do papel passa, necessariamente, pelo orçamento. As metas climáticas precisam estar conectadas às decisões sobre onde e como os recursos públicos serão aplicados”, sustenta Sarah Irffi, coordenadora do HUB de Economia e Clima, do Instituto Clima e Sociedade (iCS), comentando que os prejuízos bilionários decorrentes de eventos extremos pressionam os orçamentos estaduais, comprometem investimentos e ampliam desigualdades. “Planejamento climático não é despesa — é gestão de risco macroeconômico e social”, argumenta.
21/09/2026

Depois de 100 anos, ciência identifica nova espécie de felino na Bolívia

A Bolívia abriga uma espécie de felino recém-descoberta — a primeira em mais de um século — em Coroico. Crédito: Reuters/Folhapress
 Animal batizado de “tilcayo” se assemelha a um gato-do-mato, mas prossegue rodeado de mistérios. É o primeiro felino descoberto desde o gato-do-pampa, em 1923

Fonte: Duda Menegassi, ((o)eco - A genética acaba de trazer à tona uma nova espécie de felino – a primeira descoberta em mais de um século. Trata-se do “tilcayo”, um parente do gato-do-mato, que vive nas florestas da Bolívia. Ainda envolto em mistérios, o felino foi revelado graças à análises genômicas conduzidas por um time internacional de pesquisadores e batizado pela ciência de Leopardus tilcayo, ou simplesmente “tilcayo”, como já chamavam os locais. 

O felino traz diferenças dos outros gatos-do-mato como a pelagem relativamente curta, as rosetas (ou “pintas) maiores, abertas e irregulares, e uma cauda com um padrão diferente de pelagem. Já aos olhos da genética, a diferença é ainda maior, com mais de um milhão de variações genômicas que distinguem o tilcayo dos demais gatos.

O animal vive nas florestas úmidas e montanhosas da Bolívia, ecorregião conhecida como Yungas, na encosta oriental da Cordilheira dos Andes, mas sua área de distribuição completa segue indefinida. A espécie permanece envolta ainda em perguntas básicas sobre ecologia, comportamento, dieta e reprodução.

20/09/2026

Esse é o FUTURO da AGRICULTURA?


Fonte: @cienciatododia - A agricultura regenerativa parece promissora. Ela é um conjunto de práticas que busca manter a saúde do solo para que as nossas colheitas continuem sempre rendendo bons frutos. A ideia é especialmente importante levando em conta que precisamos cultivar plantações para sustentar bilhões de pessoas ao mesmo tempo em que precisamos nos preocupar com impactos ambientais.

18/09/2026

Mineradora ré por garimpo ilegal na Amazônia abasteceu indústria bélica dos EUA

Vista aérea de um garimpo na Terra Indígena Yanomami. Em agosto, a White Solder se tornou ré na Justiça Federal por suspeita de operar um esquema milionário de extração ilegal de cassiterira no território (Foto: Valentina Ricardo/Greenpeace/2022)
White Solder, acusada de integrar esquema criminoso na TI Yanomami, forneceu estanho para empresas com contratos com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos; Mineradora brasileira declarou compras de matéria-prima de áreas sem indícios de atividade minerária, aponta Greenpeace

Por Murilo Pajolla e Isabel Harari | Edição Poliana Dallabrida, Reporter Brasil 

UMA MINERADORA ré por suspeita de integrar um esquema de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, já exportou estanho a empresas norte-americanas com contratos com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. 

O Pentágono classifica o metal como indispensável para a produção de componentes eletrônicos usados em seus equipamentos militares. 

Apresentando-se como uma das maiores produtoras de estanho do mundo, a White Solder forneceu ao menos 525 toneladas para a americana Indium Corporation entre maio de 2023 e agosto de 2025, segundo registros alfandegários analisados pela reportagem. 

A Indium fornece soldas para a Raytheon, fabricante de sistemas militares, como radares e mísseis de alta precisão, que mantém diversos diversos contratos com o governo norte-americano. Com mais de 100 anos de atuação, a Raytheon faturou US$ 88 bilhões em 2025.

Um desses contratos, assinado em 2020 por US$ 2,2 bilhões, prevê a produção de sete radares de defesa antimíssil destinados à Arábia Saudita até 2027. Em outro, firmado em 2024 e com validade até 2031, a Raytheon garantiu outros US$ 2,9 bilhões para fornecer aos Estados Unidos unidades do mais moderno radar de defesa aérea e antimíssil desenvolvido pela companhia.

A White Solder também forneceu o metal para a norte-americana Nathan Trotter, que se define como a maior fabricante de estanho e ligas de solda da América do Norte. Entre agosto de 2021 e agosto de 2025, a companhia recebeu ao menos 2,4 mil toneladas da produtora de estanho brasileira, apontam registros alfandegários.

17/09/2026

Cidades esponja podem salvar nossas cidades das inundações

Diante do aumento de tempestades extremas, a filosofia de trabalhar em sintonia com a natureza propõe transformar o concreto urbano em áreas capazes de absorver a água da chuva.

Fonte: Ecodebate  

Olhando para as ruas e lembrando das lições da natureza 

 Sempre que vemos tempestades intensas atingirem nossos centros urbanos, pensamos sobre a forma como construímos o espaço ao nosso redor. Há muito tempo sabemos que cidades tomadas pelo concreto costumam transformar o excesso de chuva em desastre hídrico.

Em vez de permitir o fluxo natural da água, trilhões de litros de precipitação caem sobre áreas urbanizadas apenas para serem rapidamente desviados por tubulações para rios e oceanos distantes. Ao mesmo tempo, as próprias metrópoles sofrem com a escassez, bombeando água de aquíferos que estão se esgotando rapidamente. Esse modelo tradicional de engenharia cinza apresenta limitações evidentes diante de tempestades cada vez mais frequentes e severas, provocadas pelo aquecimento global.

A origem da filosofia da cidade esponja

O arquiteto paisagista chinês Kongjian Yu desenvolveu a filosofia da cidade esponja após crescer na China rural, onde adquiriu profunda consciência sobre o movimento sazonal dos rios. A abordagem utiliza sistemas de drenagem natural para reduzir o risco de inundações, combater a escassez de água e amenizar o efeito das ilhas de calor urbanas.

16/09/2026

Cientistas brasileiros transformam CO2 em combustível para navios, carros e caminhões

Projetos em desenvolvimento buscam estabelecer a produção industrial de metanol, gasolina e diesel renováveis
Metanol produzido no Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (SP) Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP
Fonte:  Domingos Zaparolli, da Revista Pesquisa FAPESP - O dióxido de carbono (CO₂) é o principal gás gerador do efeito estufa (GEE), fenômeno associado ao aquecimento global e às mudanças climáticas. Nos últimos anos, pesquisadores mostraram que o CO₂ pode ser capturado de processos industriais ou diretamente da atmosfera e usado como insumo de combustíveis renováveis. No mundo, soluções tecnológicas capazes de realizar esse processo já fazem a transição dos laboratórios de pesquisa para a produção em escala industrial. No Brasil, dois projetos têm o potencial de colocar o país entre os detentores de tecnologias capazes de usar o gás carbônico como insumo para o abastecimento de diferentes tipos de veículos.

Uma das iniciativas foi concebida no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) no âmbito do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), uma parceria entre a FAPESP e a empresa energética anglo-holandesa Shell. Seu objetivo é produzir uma versão sustentável do metanol (CH₃OH), conhecida como e-metanol, utilizando energia renovável no processo e CO₂ capturado de usinas de etanol. A meta é empregar o combustível na propulsão de navios, uma aposta do setor marítimo para a transição energética.

Hortas comunitárias atuam como oásis contra os “desertos alimentares”

José Luiz Natal Chaves em colheita de hortaliças; empresa criou horta comunitária para trabalhadores (Foto: João Gabriel Rothier)
Organosolo e Horta Maria Angú fortalecem comunidades através da transformação e cultivo de alimentos. Iniciativas ajudam a combater, desigualdades no Rio de Janeiro

Fonte: Marcos Macário e João Gabriel Rothier | Inclusão e Diversidade, ODS 2, #COLABORA - Com a intensificação da emergência climática, as comunidades e as favelas acabam sendo as primeiras impactadas, ocasionando em diversos problemas sociais e de desenvolvimento. Em contrapartida, empresas como a Organosolo ou projetos sociais como a Horta Maria Angú, atuam como um mecanismo social que luta contra o racismo ambiental e a insegurança alimentar no estado do Rio.

Segundo o relatório SOFI da ONU, o Brasil alcançou pela segunda vez sua saída do Mapa da Fome, considerando o triênio 2023 a 2025. Embora positivo, o resultado quando analisado por regiões, contextos e grupos, ainda demonstra dificuldades significativas.

Licenciada em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Laís Lara de Oliveira Pereira pesquisa sobre racismo ambiental e ecologia decolonial. A cientista destaca as hortas comunitárias como soluções que discutem a lógica da alimentação saudável nos territórios periféricos.

“As hortas demonstram que as favelas não são apenas um lugar onde faltam políticas públicas, mas também um território que produz alternativas. Mais do que plantar alimentos, elas aproximam as pessoas do cultivo, fortalecem relações comunitárias e mostram que a produção de comida também pode ser uma forma de produzir autonomia”, comenta Laís.
15/09/2026

Temperatura máxima na estação seca já aumentou mais de 3 °C em área preservada da Amazônia

Temperaturas máximas no período mais seco aumentaram pelo menos 0,75°C por década no centro-norte da Amazônia; taxas foram calculadas por área, com  resolução espacial de 11 km (imagem: Liana Anderson/Inpe)
Fonte: Luciana Constantino | Agência FAPESP – Uma área de mais de 700 mil quilômetros quadrados no centro-norte da Amazônia – quase o tamanho do Chile – registrou um aumento de pelo menos 3,2 °C nas temperaturas extremas da estação seca desde 1981. Nesse território, a elevação foi de, no mínimo, 0,75 °C por década, revela pesquisa publicada nesta quinta-feira (10/09) na revista Communications Earth & Environment por um grupo de 53 cientistas internacionais, incluindo brasileiros.

O ritmo é superior ao aumento de 0,2 °C por década observado na temperatura média anual da floresta tropical. Os resultados mostram que o clima do bioma não está mudando de forma homogênea: enquanto o sul da Amazônia apresenta aquecimento médio acelerado, é no centro-norte, distante do arco do desmatamento, que as temperaturas extremas e o déficit hídrico avançam mais rapidamente.

Segundo o estudo, isso indica que o fenômeno não pode ser atribuído somente à perda florestal, principal vetor de emissão de gases de efeito estufa no Brasil, mas também à influência das mudanças climáticas globais. Nesse cenário, os cientistas destacam a preocupação com a expectativa de que o El Niño deste ano seja o mais intenso já registrado, podendo levar a Amazônia a sofrer novamente com temperaturas elevadas e secas extremas dois anos após a última grande estiagem, ocorrida em 2024.

11/09/2026

Desertificação no Brasil e o aprofundamento das desigualdades sociais

Fonte: Reinaldo Dias, (Ecodebate)
- Em 25 de agosto de 2026, durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, realizada em Ulan Bator, na Mongólia, o Brasil apresentou sua primeira Meta Voluntária de Neutralidade da Degradação da Terra. O compromisso reúne 17 submetas e alcança cerca de 3,67 milhões de quilômetros quadrados, equivalentes a 43,1% do território nacional. A dimensão impressiona, mas precisa ser compreendida corretamente. Aproximadamente 95,5% dessa extensão correspondem a áreas nas quais se pretende evitar o surgimento ou o agravamento da degradação. A recuperação ou restauração propriamente dita deverá abranger cerca de 163 mil quilômetros quadrados até 2030.

O anúncio ocorre em um momento no qual a degradação dos solos deixa de ser vista como um problema restrito ao interior do Nordeste e passa a ocupar uma posição estratégica nas discussões sobre clima, água, biodiversidade e produção de alimentos. Essa mudança já estava presente no Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca 2025–2043, lançado em março de 2026. O plano procura articular políticas ambientais, agrícolas, hídricas e sociais, reconhecendo que a perda da capacidade produtiva da terra amplia vulnerabilidades que atingem milhões de pessoas.

A desertificação não transforma necessariamente uma região em um deserto coberto por areia. Trata-se da degradação das terras secas provocada pela combinação entre variações climáticas e atividades humanas.
05/09/2026

O futuro do Pau-Brasil: como atua lobby que tenta legalizar espécie para a Europa (Disputa pelo pau brasil - parte 4) - Com a resposta na íntegra de Daniel Neves (ANAFIMA) em vermelho, no corpo do texto

Arte: Matheus Pigozzi / Agência Pública foto: Natália Alana / Agência Pública

Errata: Inclusão desta matéria com a resposta na íntegra de Daniel Neves - ANAFIMA (Link da publicação original): https://apublica.org/2026/08/do-brasil-a-italia-como-funciona-o-lobby-pelo-pau-brasil/

Fabricantes investigados se tornaram defensores da proteção da espécie — e o que isso revela sobre o futuro

Fonte: Augusta Lunardi, Giacomo Zandonini, Natália Alana (Agência Pública) - No interior do Espírito Santo, uma rua estreita concentrava algumas das principais empresas brasileiras de fabricação de arcos de violino: Arcos Brasil, Archets Brasil, Bogen Schaeffer e Horst John & Co. O polo no distrito de Guaraná, em Aracruz, havia se consolidado nas décadas de 1970 e 1980, quando o comerciante alemão Horst John se estabeleceu na região e passou a enviar jovens locais à Europa para aprender a arte da archeteria.

Segundo as autoridades brasileiras, o que parecia um polo artesanal especializado escondia um sofisticado esquema de extração e comercialização ilegal do pau-brasil — a árvore que dá nome ao país e que, após séculos de exploração, figura hoje entre as mais ameaçadas da Mata Atlântica. A madeira avermelhada da espécie é considerada, há séculos, a matéria-prima ideal para arcos de instrumentos de corda, e um único arco pode custar entre cinco e 10 mil dólares no mercado internacional.

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